Nos primórdios do cinema, quando eles queriam fazer naves espaciais, a solução mais comum era montar o cenário, pendurar miniaturas em fios de naylon e produzir todo o movimento de uma vez na frente das câmeras, como se fosse um show de marionetes.

Alguns anos depois, foi desenvolvida a técnica de chromakey, que envolvia filmar a miniatura na frente de um fundo azul que é posteriormente apagado, permitindo a sobreposição da miniatura em um cenário previamente filmado.

Apesar de largamente adotados, ambos os processos eram altamente limitados. Não permitiam movimentos complexos das miniaturas ou da câmera. Quando George Lucas foi fazer Star Wars, ele não queria nada disso. O briefing era que as batalhas espaciais fossem super dinâmicas, com movimentos complexos tanto de câmera quanto das miniaturas. Algo muito parecido com o que se via em documentários da segunda guerra.
Ficou claro que era preciso inventar uma nova abordagem, porque as técnicas tradicionais não dariam conta do recado.
O grande trunfo veio de um sistema chamado Dykstrafex, inventando pelo John Dykstra, especialmente pra filmar as batalhas do Star Wars. Este sistema era formado por um braço robótico, que podia fazer diversos movimentos programados por computador.
Tais movimentos podiam ser repetidos ou ajustados com precisão milimétrica. Isso resolveu uma série de problemas quando o assunto é fazer batalhas espaciais com miniaturas, olha só:
MOVIMENTOS DINÂMICOS
Em uma cena com uma miniatura sobre o fundo azul, tanto faz você mover a miniatura ou mover a câmera, porque depois do fundo removido, resta apenas a miniatura se movendo pela tela. Porém, por uma série de questões, mover a câmera é mais fácil. Assim, colocar a câmera no braço robótico, permitia fazer a maioria dos movimentos dinâmicos que as miniaturas precisavam executar.

VÁRIAS MINIATURAS EM CENA
Em uma cena complexa, com várias naves voando ao mesmo tempo, a única solução pra ter controle total sobre a cena é filmar uma nave de cada vez e depois juntar tudo numa mesma cena. Como o braço robótico pode ter seu movimento programado e ajustado, esse trabalho fica muito mais fácil. Inclusive, uma mesma miniatura pode ser filmada várias vezes, com pequenas variações no movimento entre uma tomada e outra. Quando junta tudo, fica parecendo que são várias naves na tela ao mesmo tempo.

ILUMINAÇÃO IDEAL
Para conseguir um maior realismo, é comum filmar a miniatura em várias “passadas”. Explicando: Em miniaturas com recursos extras, como janelas iluminadas, turbinas, etc, o ideal é filmar esses elementos separadamente, fazendo ajustes necessários de luz e câmera em cada passada. Então a cena precisa ser filmada várias vezes, repetindo o mesmo movimento de câmera com alto grau de precisão pra que cada passada fique sincronizada com as demais. Depois, todos esses elementos são sobrepostos, recebendo ajustes finos, para formar a cena final. Isso acaba gerando um resultado muito melhor do que simplesmente ligar as luzinhas da miniatura e filmar tudo de uma vez.

FOCO PERFEITO
Devido a limitações da tecnologia da época, o braço robótico se movia muito lentamente. Mas isso era perfeito. Porque um dos grandes problemas em filmar miniaturas, é que elas precisam estar em foco o tempo todo. E pra conseguir um foco perfeito, um dos recursos é fechar bem a lente da câmera. Porém, fazendo isso a imagem fica escura. Para compensar eles trabalhavam com a câmera tirando poucas fotos por segundo, permitindo deixar a lente da câmera aberta por mais tempo, assim entrava mais luz e a cena não ficava escura. Então a cena era filmada na velocidade de 1 frame por segundo. Mas quando a gente assiste, a 24 frames por segundo, era como se o movimento ficasse 24 vezes mais rápido, o que dava a sensação de velocidade, mantendo o foco perfeito.

Vale lembrar que John dykstra ganhou o Oscar pelo seu trabalho em Star Wars.
Hoje em dia, muitos efeitos especiais são feitos com computação gráfica no lugar de miniaturas, o que diminuiu, mas não aposentou o uso de sistemas de controle de câmera, como Dykstraflex. A tecnologia evoluiu muito, com robôs que conseguem fazer movimentos ultra rápidos, muito utilizados em publicidade ou cenas complexas de ação.
Nas minhas produções, como não tenho braço robótico (gostaria muito de ter, masss$$$$…), acabo fazendo um meio termo entre um movimento manual / mecânico da câmera com alguns recursos avançados na pós. Mas essa história fica pra outro artigo.
Para ver um pouco mais sobre o Dykstraflex:
https://www.lucasfilm.com/news/lucasfilm-originals-the-dykstraflex






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